No dia 9 de dezembro de 2024, defendi minha tese de doutorado em Saúde Coletiva. Essa conquista representa um percurso marcado por estudo, consistência e a certeza de que eu não desistiria — mesmo diante de contextos que, muitas vezes, não foram favoráveis.
Sempre que me perguntam sobre esse caminho, escolho contar uma história de construção. Uma história de alguém que acredita profundamente no que faz e entende o impacto de uma pesquisa como essa. E faço essa escolha de propósito: não para apagar os obstáculos, mas porque não quero que eles sejam o centro da narrativa.
Não se trata de uma visão meritocrática — se você leu assim, talvez estejamos em páginas diferentes. O que afirmo é que, com oportunidade, consegui causar impacto nos espaços por onde passei. Agora imagine o que é construir uma tese dentro de uma universidade tradicional, com pouquíssimos alunos e professores negros, tendo como base a minha própria história. Imagine pesquisar e escrever sobre o poder de escutar outras histórias e entender os motivos pelos quais algumas pessoas vivem, adoecem ou resistem de determinadas formas.
Não estou falando de passividade, nem de um olhar romantizado sobre o sofrimento. Estou falando de reconhecer a dor do outro porque, em alguma medida, ela também já foi minha.
Tenho muito orgulho de ser uma pesquisadora que trabalha com narrativas e sei que deixei rastros importantes dentro da universidade — rastros que, espero, encorajem outras pessoas negras, especialmente mulheres, a ocuparem também esses espaços.

Uma resposta
Boa Tarde, Drª Bia Albino
Um luxo e vários poderes acessar suas narrativas. Estou em fase de escrita para uma Afro tese, com narrativas de atrizes e suas situações na arte e na vida, enquanto paciente simulada na Simulação Clinica Realistica Assim, se eu puder ter o link de acesso da sua Tese, será de grande valia e fortalecimento. Afro agradeço. Não desisto!