Será que o melhor caminho, às vezes, é parar e refletir por alguns momentos?
Enquanto o debate sobre bebês reborn se espalha pela internet e ganha espaço até na televisão, fico me perguntando: isso realmente merece tanta atenção? Li recentemente um artigo sobre o tema, e, sinceramente, não vejo relevância suficiente para engajar profundamente.
Nos últimos dias, viralizou mais uma dessas discussões sobre bebês reborn, partos encenados e pessoas performando a maternidade. Eu, que sou uma pessoa cronicamente online, enxergo isso como mais um fenômeno passageiro. A famosa trend em que quem performa melhor atrai mais visualizações — e, claro, mais possibilidades de “monetizar”.
Essas performances já atravessaram as redes e chegaram até os programas de TV, tratados como se fossem grandes pautas. Para mim, são não-discussões. E me espanta ainda mais o fato de tanta gente acreditar em vídeos como os que mostram brigas em estacionamentos por causa de bonecas — sempre convenientemente filmadas. Uma excelente oportunidade de ganhar views e vender mais bonecas, não?
Não, eu realmente não quero discutir sobre tudo. E isso não me faz menos pesquisadora, nem menos antirracista. É só que eu tenho outras prioridades. Ou talvez eu só esteja num momento em que prefiro observar antes de decidir se essa discussão merece minha atenção.
No meio disso tudo, algo me chamou a atenção : a articulação entre bebê reborn e a boneca Abayomi presente em textos de redes sociais. Achei uma grande sacanagem com as Abayomis que são bemm mais bonitas (brincadeira, eu respeito todo o tipo de arte!). Acontece que a história da boneca Abayomi segue sendo apresentada como uma “lenda” — como uma lenda da boneca criada no período da escravização.Isso contraria o relato da própria criadora, Lena Martins (Dona Lena Martins, sei que a senhora já explicou isso um milhão de vezes — há anos vem desmentindo essa história de que a Abayomi surgiu como uma lenda no período da escravização), que desenvolveu a boneca como ferramenta de ação social na Cidade de Deus. Retomar essa origem com precisão é fundamental para evitar apagamentos históricos e impedir a propagação de informações imprecisas.
Por isso, compartilho aqui dois vídeos importantes, em que Lena Martins fala diretamente sobre a criação da Abayomi e sua verdadeira história:
https://youtu.be/8SSuiP48dYg?si=OEblvn4zAAWO69CZ
https://www.youtube.com/live/zuRzkqzeKas?si=ELWRbDrL7Fd2Fbs9
